sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Marketing Cultural Digital

Marketing cultural digital

marketing cultural
O consumidor é uma figura ativa no atual contexto. Ele recebe informação e produz mais informação. É preciso ouvir o público, afinal, o produto e a sua divulgação se confundem. A audiência precisa se sentir motivada a deixar de lado todos os outros estímulos e informações à sua disposição para dedicar-se a conhecer o que se tem a apresentar
Por: Carla Cíntia Conteiro
É bastante curioso observar a reação de um artista que ouve pela primeira vez a expressão marketing cultural. Natural e tradicionalmente desligado das coisas mundanas e materiais, há certa resistência ao que ele chama de comercialização de sua arte. Entretanto, ainda que a atividade cultural não tenha como objetivo ser lucrativa ou a principal fonte de renda individual, esta posição não se sustenta, pois sem recursos, não é possível conseguir os insumos para a produção cultural. Seja para a aquisição de instrumentos musicais, de computadores, de tintas e telas, de figurinos ou cenários é necessário dinheiro. Assim, até mesmo o mais desprendido artista, o mais abnegado agente cultural precisará vender seu peixe. É aí que entra o marketing cultural.
Uma das definições de Marketing Cultural é ser o quarto “p” do marketing mix de Jerome McCarthy, que define quatro linhas básicas para o estabelecimento de um produto, cultural ou não, no mercado: produto, ponto (local), preço e promoção. Aqui, a promoção pode ser entendida como a comunicação, realizada pelo Marketing Cultural “de fim”, ou seja, aquele que tem como missão produzir, promover e difundir a cultura.
Durante o século XX, só havia uma alternativa para quem quisesse divulgar sua produção cultural: ser contratado por uma gravadora, uma editora ou outro detentor dos meios de produção e divulgação. Com o advento das novas tecnologias, o paradigma mudou. O acesso aos meios de produção se democratizou com a popularização dos computadores pessoais e o barateamento de outros equipamentos. Nos dias que correm, qualquer um pode divulgar seu trabalho na Internet. Entretanto os desafios continuam, pois falamos de um cenário em constante mutação.
Para dissecar este cenário, o físico e jornalista inglês Chris Anderson criou o conceito de Cauda Longa, no qual o foco sai de um relativamente pequeno número de hits (produtos que vendem muito no grande mercado) para um grande número de produtos de nicho. O gráfico matemático que deu origem ao nome dessa teoria demonstra que para as grandes empresas do varejo, especialmente na Internet, é indiferente vender, em um ano, um milhão de unidades de um produto ou uma unidade de um milhão de produtos, num mundo em que não é necessário espaço físico para armazenar estoques.
A Cauda Longa serve para os trabalhos artísticos tão bons que são capazes de revolucionar a arte, mas que ficavam relegados ao esquecimento porque não agradavam às massas. Agora eles podem alcançar seu público-alvo.
Todavia para se ter audiência é preciso apresentar diferenciais. O ingrediente mais precioso hoje é a relevância, seguido do acesso às pessoas, talento e tempo investido para a produção do conteúdo. As pessoas pagam pelo relevante, pelo exclusivo, pelo que amam, pelo que dá status, e pelo que economiza tempo.
O consumidor é uma figura ativa no atual contexto. Ele recebe informação e produz mais informação. É preciso ouvir o público, afinal, o produto e a sua divulgação se confundem.
A audiência precisa se sentir motivada a deixar de lado todos os outros estímulos e informações à sua disposição para dedicar-se a conhecer o que se tem a apresentar. Conquistar atenção é para guerreiros. Ou especialistas. Há que se aprender como instigar, provocar ou premiar por esta atenção. De outro modo, restam as reclamações de que o público não compreende, não ouve, não compra.
Hoje em dia, para começar uma carreira, quase tão importante quanto ser criativo em suas composições, tocar bem, cantar com afinação ou ser carismático, é o artista ter a habilidade de relacionar-se com seu público, seja ele já formado ou potencial. Construir um site, disponibilizar suas músicas para degustação, escrever um blog, participar das principais redes sociais (Facebook, Twitter, Youtube, Pinterest, Skoob, ou as que estejam em alta no momento), cadastrar seus fãs, receber e responder e-mails são tarefas tão importantes quanto ensaiar. E quem tem tempo de garantir o pão de cada dia num emprego tradicional, enquanto produz e se aprimora em sua arte e ainda fazer todo o trabalho de marketing cultural digital correta e eficientemente?
Sempre lembro a história que um professor me contou de um amigo pianista que queria economizar e pegou para si a tarefa de carregar e posicionar o piano no palco. Quando chegou a hora do concerto, suas mãos tremiam pelo esforço. Assim, apesar de exímio instrumentista, sua apresentação foi sofrível, pois não se concentrou no que sabia realmente fazer melhor do que qualquer um.
Portanto, é interessante que o artista ou agente cultural mantenha o foco em sua produção e se libere do peso de mais ainda uma tarefa, deixando que o profissional de marketing cultural digital carregue o piano para ele.

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